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Wed, Jun. 24th, 2009, 02:54 am

O que é essa sensação que não vai embora?
Vontade de me encolher e ficar chorando baixinho até a vida passar.
Às vezes eu brinco com cada coisa... cada coisa. Pra que? Aquilo que o E.A. Poe escreve, a sensação arrebatadora de estar na beira do precipício e querer pular. Hoje brinquei com coisas que sei que me machucaram, e agora que o dia foi e estou aqui sem ninguém pra assistir, me sinto triste, perturbada, vazia. Sinto medo de ser machucada, de me enganar... brinquei com coisas que me machucaram sim. Será que não aguento ser feliz? Será que não aguento me sentir segura? Pode ser culpa, culpa da criança que não foi, culpa de viver, culpa de ter sobrevivido e ele não. Não existe barganha, então o que raios eu estou fazendo me machucando deliberadamente? Feito aquele ano em que boicotei o colégio, aparentemente sem motivo. Meu pai não entendeu aquilo, eu não estou entendendo isso... pra que me machucar agora? Sei que quero me proteger, quero entender e saber e garantir e controlar coisas que não podem ser controladas, e quero porque me machuquei muito antes. O Carlos que morreu. O Otavio que não era nada daquilo. O amor que não era. Os amores que poderiam ter sido e não foram (as lágrimas todas às vezes que encontro o Pê, o namoro que nunca tive a chance de ter com o Di). Aquele tapa na cara, florianópolis, a Epa quebrada, o barulho, a confusão, as palavras duras. Eu sinto que preciso sim me proteger do amor. Mas e o amor que não se realiza por medo? Vou me sabotar? Por ter medo de me machucar pelo outro, me antecipo a me machucar sozinha? Admito que às vezes me canso de mim... canso dessas bobagens, canso do esforço, canso de me resguardar e canso de me entregar. Quero muito viver uma vida que me parece sempre a um braço e meio de distância.

Mon, Jun. 8th, 2009, 04:58 am

é tudo.
tenho pressa de tudo e calma de sempre.

Thu, May. 21st, 2009, 10:59 am

Era o carro do meu avô. A janela de trás era uma dessas que não se abre, com a exceção de uma fresta.
Não costumava sentar na janela, acho, não combina com o perfil. Sempre gostei de observar gente mas ela falava que era um hábito terrível. Meus outros hábitos terríveis: ler livros impróprios para minha idade, camisas de flanela, mascar a comida, não ir ao shopping, não lembrar o que tinha no meu copo. Teve a vez da margarina, mas aquilo não fui eu, foi a tia lili. Eu tentei consertar o que ela tinha feito, delicadamente retirando a margarina (eca) dos cantos e não do meio. Ela queria que olhassem para ela, mas foi para mim que olharam - feio.
Era muita vergonha sempre e não tinha para onde ir. A cozinha era território ocupado, como os quartos, o corredor cheirava mal e era dominado por baús e casacos de pele. As salas, sempre deitava no chão, pra não criar conflitos. Dizia que gostava mas acho que eu nem pensava no assunto, eu queria ser legal. Tava com vergonha, lembra? A sala não ia me abrigar. Trancada no banheiro, minha avó ficava brava. Era um banheiro enorme, todo dividido, com duas pias em uma bancada enorme de mármore e uma banheira rosa que eu devo ter usado 3 vezes no máximo. Tudo isso do outro lado daquele closet que na minha memória, era gigantesco. E era, mesmo, tanto faz  o que eu lembre. Ficava longe de tudo, menos da impaciência da minha avó.
Um dia eu descobri o quarto de empregada, coberto de coisas dos filhos deles. Eu podia ficar muito quieta lá, mas de novo, era um problema. Envolvia passar por cachorros e eu nem vou falar deles porque era isso... eu tentava sumir, tentava não ser um problema, tentava não incomodar, aparecer, ser embaixo daquela camisa de flanela (e você disse o que eles disseram, Danilo, mesmo que com carinho. Eu não deveria existir). Depois fui para a varanda e às pessoas tinham medo de altura. Minha prima fumava lá, com uns 13 anos... ela sempre foi muito ocupada com a imagem dela e precisava praticar cedo. Eu brincava com um violão da minha tinha e olhava aquilo. Aí uma dia tinha alguém ali comigo e ele não me disse o problema que eu era, ele disse "se você caísse agora, eu pulava atrás".

Wed, May. 20th, 2009, 11:11 am
afirmações

"Algumas meninas vão a “raves”. Os garotos vão aos bares. Os músicos vão aos shows e os cineastas aos cinemas. Os gays vão aos guetos. Os namorados vão ao motel, os casados vão à casa da sogra. Os pais vão ao shopping, ao parque, vão até a escola. Todos vão ao supermercado. Todos comem e todos vão ao banheiro. Os homens vão ao masculino e podem usar o mictório. As mulheres não.
As mulheres podem engravidar, os homens não. Mas podem fazer xixi em pé. Os aleijados não. As crianças podem usar fraldas e os velhinhos também. Os jovens podem fazer piercings se os pais deixarem (se não deixarem, também).
Menores de idade podem dirigir, mas podem levar os pais para a cadeia. Adultos podem ser apaixonar por crianças e irem para a cadeia. Crianças sempre se apaixonam pelos adultos e nunca vão para a cadeia, só vão se assaltarem um adulto. Ou uma criança, ou um velhinho.
Os jovens têm mais energia sexual. Os adultos e crianças também têm. As crianças não sabem o que é “sexual”. “- Sexual é desejo, meu filho”. É querer. E querer, todo mundo quer, alguma coisa. Mesmo que não saiba o quê.
No banco, as pessoas fazem fila. No McDonald´s, no refeitório, no banheiro da balada, na entrada de casa, no dia do aniversário do amigo também. Filas se organizam para que todos tenham sua vez. Mais, ou menos, as filas funcionam. Às vezes elas falham e as pessoas não podem ter cada uma a sua vez. Algumas pessoas furam as filas.
Homens, mulheres, crianças e velhinhos se olham no espelho. Os cegos não olham. Todos ouvem música. Os surdos não ouvem nada. Alguns se reconhecem no espelho. Alguns psicóticos não se reconhecem, nem dentro, nem fora do espelho. Nem os bebês. Os bebês não entendem muitas coisas. Vão entendendo bem devagarinho. Ou achando que entenderam. E depois descobrem que entenderam tudo errado e começam a entender tudo de novo. Às vezes certo, às vezes errado, de novo. E às vezes nunca entendem nada. Às vezes morrem. Até os bebês morrem. E ninguém gosta de pensar nisso, mas que eles morrem, eles morrem. Por que quando há alguma coisa errada ou há um acidente alguém pode morrer. E um bebê é muito frágil (por que não entende nada) e morre ainda mais rápido do que uma criança, um homem, uma mulher ou um velhinho.
Às vezes se morre quando não há nada errado. É preciso que haja sempre pelo menos alguma coisa errada. Para não morrermos. Não morrer é quando a gente sabe que está vivo. Se a gente não sabe, a gente morre. Sem querer.
E geralmente não se quer morrer. Raras vezes se pensa que se quer, mas em geral é mentira. Pode ser uma desesperança. Uma preguiça de viver, ou uma angústia maior do que se está conseguindo suportar naquela hora. Às vezes é genuína essa vontade e se morre mesmo. Algumas pessoas se suicidam nessa hora. E nunca podemos saber porque o fizeram, porque elas não voltam para nos explicar. E nós ficamos bravos, curiosos, tristes, ou com vontade de fazer igual, mas nem sempre fazemos.
Amor e morte estão muito próximos, dizem. Dizem que o ápice do sexo é uma sensação que podemos comparar à da morte. Como podemos comparar algo à morte se nunca morremos antes? Nunca morremos e falamos sobre como é a morte, como se pudéssemos metaforizá-la. E podemos. Podemos metaforizar qualquer coisa. Pra isso servem as metáforas. E pode ser que elas sirvam para alguma coisa, por exemplo, para nos fazer pensar na morte de um jeito menos desconhecido como olhávamos antes de metaforizá-la. Pelo menos serve pra escrever um texto como esse. E não chegar a conclusão nenhuma."


[Carol Torres]

Tue, May. 19th, 2009, 11:20 am

Hoje, pela primeira vez em meses, fez sentido escrever.
(minha última postagem é da segunda fase da fuvest, no comecinho de janeiro. passou fuvest e eu passei muito bem dela também, começaram as aulas, eu sai da recreio, minha avó morreu, tanta coisa mudou e só agora fez sentido escrever)

mas escrever o que?
tudo que eu estou sentido é tão normal, compreensível, aceitável.. menos essa sensação de solidão. Ou até ela. Acho que até ela...
ontem, um dia atipicamente longo e rápido, me perguntou até onde essa solidão é opção pessoal. caralho, opção pessoal. acho que o problema é a palavra solidão. as pessoas acham que o oposto de solidão é companhia, mas não é... pessoas estão aí, pessoas queridas, divertidas, amadas. e a vontade de sair da cama não aparece por nada. Não tem é presença. Nada na minha vida é presente.


I'm waiting for the train
Subway that only goes one way
The stupid thing that'll come to pull us apart
And make everybody late

You spent everything you had
Wanted everything to stop that bad
Now I'm a crashed credit card registered to Smith -
Not the name that you called me with

You turned white like a saint
I'm tired of dancing on a pot of gold-flaked paint
Oh we're so very precious, you and I
And everything that you do makes me want to die
Oh I just told the biggest lie
I just told the biggest lie
The biggest lie

Sun, Jan. 4th, 2009, 11:32 am

segunda fase, here we go..

Thu, Jan. 1st, 2009, 09:26 pm
Blossoms of days to come

Meu final de 2008 foi tão intenso e cheio de mudanças que fica até engraçado de narrar.
Tudo começou com um não ir para a chácara... bobagem, eu sei, mas minha vida mudou.
Depois dessa decisão, muitos comportamentos foram se encaixando. É lógico que foi um processo... longo, muito assustador e principalmente perigoso em alguns dias. Foram anos de luta.,24, mas os últimos 3, 4 foram mais duros.
Meu corpo mudou. Um dia eu acordei e não estava só triste, mas estava sem esperança.
Depois disso, foi uma queda constante. Pedi ajuda algumas vezes para amigos que foram embora com o tempo. Foi ficando perigoso mesmo,e eu, assustada, não queria aquilo. Um dia, calhou de ver (e ouvir) que - por mais injustiçado que seja - nem todas as pessoas conseguem crescer com apoio. Algumas pessoas precisam lutar para se ver, se ouvir,  e ser.
Não querer aquilo mudou a minha vida.
Foram muitas conversas, muitas constatações, muitas lágrimas, muitos silêncios, muita vergonha e muitos anos. Mas um dia deu. Eu tenho 3 marcas no meu ombro para me lembrar que sou self-made sim, mas sou um produto social e histórico da cultura que acredito. Na minha voz, muita gente fala... amigos perenes, conselhos largados e uma média de 3.500 anos de pensamento filosófico. Não pra pegar bem, ou falar importante, mas pra viver melhor.
E nesse final de ano, eu me senti diferente.. De verdade, nada a ver com o calendário, até porque o ano não termina pra mim ainda... meu 2009 ainda não começou.
Mas ontem a noite uma menina de saia e sobretudo escalou a torre do relógio, no meio da USP. E viu fogos de artifício que pareciam pequenos e soavam distantes no topo do meu silêncio. Foram duas grades com lanças e inclinadas e 3 andares subidos no braço, pela grade externa. No topo, três homens barbados elogiaram a minha coragem. Eu nem tinha visto que tinha tido coragem, só subi sem nem me preocupar, olhando pra baixo e dando risada.
Talvez essa nota de auto-estima seja passageira, mas as coisas que fiz e conquistei estão aí pra confirmar tudo o que me disseram em oposição à minha infância de desestímulos e ataques. A confiança de quem sobe.
Hoje, voltando da Usp, vim de bicicleta.
Não aprendi a andar de bicicleta quando era criança, mas sozinha durante a adolescência. E voltando pra casa pelas ruas de São Paulo, experiência novíssima e meio arriscada, o vento gostoso, a pele viva, vendo os carros e dando feliz ano novo pra desconhecidos, eu me vi muito bem... e gosto do que vi!

Sat, Dec. 27th, 2008, 12:22 am

Verônica.

Lembre.
Lembre sempre. Lembre dessa sensação.
Você está, sim, sozinha. Hoje aqui, agora (NOW, no braço, sangrando). Agora. Lembre-se de querer o agora. Lembre-se de que sim, você está sozinha. Quero que essa lucidez e essa auto-aceitação assentem no teu cotidiano. Quero que todos os dias a partir desse dia sejam dias de lucidez para com o mundo. O mundo está todo sozinho, mas você é uma pessoa cheia de compaixão. Não vai perder isso no caminho... Você enxerga os outros e lembra deles - não perde isso - mas você está sozinha. Ontem você falou de você como alguém perdida de si mesma. Inacessível para e do mundo e inacessível pra si mesma. Lembra? Você falou de uma camada grossa que impõe até em relação às pessoas mais queridas. Isso não é culpa delas, não adianta se revoltar. Lembra também de como você falou de solidão e o Heitor (sempre doce) replicou que isso era medo de viver as experiências. Vá viver as experiências, mesmo sozinha. Enfim... lembra dessa camada e do amigo secreto em que a Fernanda se irritou pelo centro do bolo e você... não. Você se sentiu bem reclamando e falando mal, e daquela vez você não provocou ninguém nessa explosão de insatisfações. Então pronto. Você está sozinha, feito todo mundo, nada demais, e você não é uma pessoa bem ajustada e satisfeita. Isso não é tão sério, minha querida Verônica. Isso não é tão ruim. Não é uma vergonha!
Você não precisa se esconder do mundo porque tem raiva, medo, frustrações, traumas. Você não precisa ter vergonha. Chega de se esconder. Escolhe ou aceita ficar sozinha, mas não se esconde mais. Isso é bobo.
Você é uma pessoa cheia de compaixão, sim, e humana, e doce e atenciosa e muito agressiva e confusa e meio melindrosa demais às vezes. Vai ser gauche na vida, fazer o que? Vai viver teu jeito torto. Lembre-se dessa sensação.
Pra você não esquecer, vou te dar essa música. Escolhi ela porque parece falar de si mesmo com esse amor e auto-aceitação em uma música triste, raivosa e doce. Você também é triste, raivosa e doce. Dá pra viver em paz com isso, mesmo que escolhendo não viver. E fala de não se perder nisso tudo. Ainda por cima, parece algo que você ouviria na adolescência (pelo menos era esse tipo de coisa que eu lembrava que você ouvia).
Pra garantir, eu vou fazer três marquinhas no teu ombro direito, uma pra hoje, pra amanhã e ontem. NOW, 1, 2, 3. Memento mori, memento vivere. 3 marquinhas no teu ombro doce e bonito, pra você lembrar que está tudo bem. Você tem raiva, tá bom. Não precisa mais esconder.. vai viver com amor.


all my love, your past self.

Sat, Dec. 20th, 2008, 12:21 am

... por que eu me apego tanto à minha infância se ela foi tão ruim?

Tue, Dec. 16th, 2008, 12:05 am

Recebi tua mensagem. Queria te dizer, mas não tive coragem.

. eu te amo.
.. eu lamento.
... eu continuo aqui, sempre.
.... tive medo de que fosse pra se despedir
..... espero que, se você for fazer isso, o que você escreveu pese como uma alternativa.


(note to self: beans, nightmare before xmas, marx (karl), sociais, day after... )

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